quarta-feira, 25 de novembro de 2020

CULTNE DOC - Dança Afro Marlene Silva - Pt 5

A cia de dança afro da bailarina e coreógrafa Marlene Silva se apresentou em 1987 no Teatro João Caetano com o seu espetáculo Raízes Africanas. Marlene Silva apresentou várias vertentes da dança afro, encantando o grande público presente, em especial a grande coreógrafa e bailarina Mercedes Batista,com quem Marlene aprendeu toda a sua arte, participando do primeiro Balé Afro do Brasil, dirigido e coreografado por Mercedes Baptista, no Rio de Janeiro. A Dança Afro em Belo Horizonte: Marlene Silva e a ruptura com o tradicional trabalho inicia-se em Belo Horizonte com a Marlene Silva, ex-integrante do primeiro Balé Afro do Brasil, dirigido e coreografado por Mercedes Baptista, no Rio de Janeiro. Primeira bailarina, negra, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que exatamente por motivos raciais e preconceituosos, era impossibilitada de participar das principais montagens. Indo posteriormente estudar com Katherine Duhanm, antropóloga e coreógrafa Haitena que estudava as danças negras do Haiti. Volta ao Brasil e cria o primeiro Balé Afro. Em Belo Horizonte o trabalho de Marlene Silva inicia-se com bailarinos/as, sendo que em sua grande maioria não tinham contato anterior com o centro da cidade e nem locais artísticos públicos, o que era percebido e muitas vezes expressado pelos primeiros alunos. Considera-se que a própria estruturação geográfica da cidade divide brancos e negros, bairros da periferia e bairros da zona sul. Incluindo os teatros, todos, ainda hoje ocupam a área central, o que já era inibidor e dificultador para o povo negro. Alguns jovens bailarinos/as negros que chegavam até a Marlene Silva e às aulas de dança afro de outros professores, expressavam, abertamente, o descontentamento por não terem sido aceitos em grupos e companhias de outras modalidades da cidade. Observa-se, a partir dessa realidade, que o racismo é algo que afeta mesmo todo o ciclo de vida das pessoas, que se traduz em problemas, mesmo no campo artístico e educacional. Esses problemas afetavam os/as jovens belorizontinos negros/as de forma que a auto-imagem e inibição corporal era sempre negativa até então. Os mesmos internalizando toda uma série de estereótipos negativos. Os efeitos emocionais desse racismo, era nitidamente no corpo e nos movimentos dançantes.

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